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Natália Michelena (classificação)

Publicado por epifabiconia em Abril 25, 2008

CELULARES OU SERES HUMANOS?

 

Desde o surgimento da telefonia móvel, o celular sofreu transformações significativas. A denominação das duas primeiras gerações do aparelho inspirou-se, basicamente, em seu tamanho, sendo que mais atual se deu não só pelo formato, mas também pelas muitas aplicações tecnológicas existentes.

            Os pioneiros foram os chamados “Esconda-me se for capaz”, vulgos “Tijolões”. Eram, de fato, enormes e bem básicos, com funções comuns a um telefone fixo normal. Ocupavam um espaço considerável nas bolsas e mochilas das mulheres. Colocá-los no bolso, então, revelava-se uma missão impossível! Todo esse tamanho avantajado podia ser percebido, por exemplo, fosse atendê-lo: parecia que o sujeito estava tirando uma arma de dentro da pasta, principalmente no momento de levantar a famosa antena flexível, a qual, muitas vezes, saía inteira do aparelho, pronta para o ataque. Ou seja, até mesmo o simples ato de atender o celular vinha acompanhado de grandes emoções.

            Após a presença “de peso” no mercado dos telefones móveis, fora iniciada a fase dos celulares pequenos, mais práticos e com inovações como toques polifônicos e jogos. Seu tamanho correspondia praticamente à metade do primeiro modelo. Esta característica, por sinal, gerou certas complicações, visto que os usuários estavam acostumados com a exuberância e a sobre-saliência do “Tijolão”. Agora, caso o celular tocasse, era necessário tatear diversos outros itens na pasta, com tamanhos mais ou menos iguais ao do aparelho, para conseguir enfim atendê-lo. Por isso, a novidade em questão passou a ter o nome “Encontre-me se você for capaz”.          

Chegando a terceira categoria na linha de sucessão dos celulares, eis que surgem os modelos atuais – pequenos ou grandes – que apresentam opções diversas de design, possuem muitas funções (como tirar fotos, ouvir rádio e filmar) e alguns apresentam, inclusive, a parte frontal móvel. São eles os aparelhos “Utilize-me se você for capaz”. Todas essas aplicações reunidas em um único celular acabam provocando mais confusões, especialmente se os consumidores forem pessoas de idade mais avançada, indiferentes à maioria das inovações do mundo contemporâneo. Conseqüentemente, escutar a frase: “Como se mexe nisso?” virou rotina nos dias de hoje.

            Sendo assim, podemos dizer que o aparelho celular iniciou seu ciclo de vida como uma “pedra” no caminho dos usuários, seguiu tornando-se prático e, atualmente, esbanja diferentes e inúmeras funções. No futuro, considerando os visíveis esforços dos homens em fazer com que as máquinas se assemelhem cada vez mais aos seres humanos, talvez o próximo modelo se chame “Converse comigo se você for capaz”.

 

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