Gabriel Silva (conto com base em notícia)
Publicado por epifabiconia em Maio 9, 2008
O CÉU É O LIMITE
5 horas do dia 9. Agora está tudo bem, mas a noite foi louca. E ainda dizem que no interior a coisa é fraca.
Quem fala isso não ouviu o barulho dos pneus cantando, nem a sonzera que vinha de dentro do carro. Puutz, o som era novinho! E ainda nem tinham ido todas as garrafas de cerveja. Acho que aquele corte na testa da Rossana foi de uma das garrafas. Foram 15. Éramos quatro. Se minha matemática não falha, bebemos bastante.
Eu já tinha sentido isso, mas dessa vez foi diferente. A gente bebe e, quando acorda, as lembranças são flashes. Mas eu sei que a noite foi louca. 22 horas, dia 8, sexta feira, era o dia. Ah, aquele motor 2.0. Voava. E na nave éramos eu, o Max, a Aline e a Rô. Carro de paulista que nada, a gente ia de casal. O pessoal no banco de trás tava bem empolgado. Eu também tava, sabia que a noite prometia. O destino? Primeiro o postinho pra abastecer. Álcool pra gente e gasolina pro carro. Depois? Não sei, pra mim aquele carro estacionado num lugar bem deserto já dava uma baita de uma noite. É a noite foi louca.
00h00min do dia 9. Contagem regressiva. Pena que não nos avisaram. Mas foram quatro horas especiais. Pelo que me lembro. Os flashes não são mais da bebida. Eu sei que a gente não parou o carro num lugar deserto. Talvez porque era mais divertido brincar de ver até quanto ia aquele motor 2.0. O cara da loja não havia mentido. O possante era bom mesmo. Bom era eu. E a Aline sabia disso. Eu acelerava e olhava pra ela. O pessoal de trás tinha mais o que fazer. Eu era o maestro da noite.
Foi só uma distração. A luz apagou. No jornal deve estar saindo que eu estava bêbado, que perdi o controle, que sou responsável. Mas foi só uma distração. Foi nessa hora que todo mundo devia ter ouvido o pneu cantando. O coração bateu mais forte. O carro virou. O coração bateu mais forte. A música parou. O coração bateu mais forte. As pessoas sumiram. O coração parou.
Eu era o maestro. O maestro de uma orquestra que se calou para sempre.
5 horas do dia 9. Agora está tudo bem, mas a noite foi louca. E se para mim o céu era o limite, acho que já cheguei até ele.