Pablo Corroche (história do colega)
Publicado por epifabiconia em Maio 12, 2008
NO LIMIAR DA INSANIDADE
De repente, senti-me imerso em escuridão. Poucas horas antes, quando tudo entrou em repouso, aquela luz parecia ser a única ligação que eu ainda tinha com o mundo real. Era como se ela fosse capaz de conduzir, a qualquer momento, alguém que me tirasse daquela situação.
Mas não importava o que eu fizesse, ninguém parecia me escutar. O espaço reduzia-se mais a cada minuto, e o ar ficava rarefeito. O silêncio era insuportável, a ponto de permitir que eu escutasse os meus sons internos, e temesse, por alguns momentos, que meu corpo explodisse para entrar em equilíbrio com o meio externo.
A noção de tempo havia se perdido, minhas idéias tornavam-se confusas, dispersavam-se aleatoriamente, no imenso vazio que tomava conta de tudo. A luz que fazia a minha conexão com o mundo exterior começou a irritar-me também. Iluminava e tornava as paredes mais estreitas. No entanto, o sufoco causado pela iluminação logo deu lugar a uma angústia ainda mais terrível: a luz apagou.
Eu sentia esvaírem-se os últimos resquícios de lucidez presentes em minha mente, senti-me entregue aos sabores da insanidade, perguntava-me onde estava e há quanto tempo. Tinha medo de pensar racionalmente, isto podia me trazer a perdição cabal, para tanto bastava que eu concluísse que estava louco. Por outro lado, a ausência de pensamentos também não era boa, podia ser definitiva. Comecei a duvidar que ainda encontrava-me ali, talvez estivesse louco realmente e já tivesse sido levado para outro lugar sem perceber.
Quando tudo parecia acabado, sem grandes perspectivas, o inesperado aconteceu. O elevador voltou a funcionar, como se nada tivesse acontecido, e eu estava são e salvo.