Rita Apoena (conto baseado em notícia)
Publicado por epifabiconia em Maio 19, 2008
CARRINHO
Eu não sei o que fazer. Um deles me olha, por entre os destroços e estende a mão para mim. Duas lágrimas descem, cortando a minha face em tiras, e despencam no chão. De nada servem. De nada me valem. O outro me olha com tanta esperança. Como se eu pudesse recolher aquele sangue e, nas nuvens mais brancas, desenhar um cata-vento, desenhar um coração. E eu não sei o que fazer. Eles me pedem com os olhos – e com a ponta dos dedos – que eu retroceda o tempo. Estanque o último sangue que puderam guardar na conchinha da mão. Brincadeira de passa-anel. Mas eu sou só um menino e não sei o que fazer quando os carrinhos de brinquedo batem de verdade. Quando o fim entra pelo ferimento, e a vida se esvai pelo asfalto,